Você estruturou sua loja virtual, escolheu os melhores produtos, negociou com fornecedores e está pronto para ver as vendas decolarem. Mas aí, na hora de cadastrar os itens na plataforma ou emitir a primeira nota fiscal, você esbarra em uma verdadeira "sopa de letrinhas": GTIN, EAN, UPC, NCM, IPI, SKU...
Parece que, de repente, você precisa de um diploma em Contabilidade e outro em TI só para conseguir colocar um anúncio no ar, não é?
É perfeitamente normal se sentir sobrecarregado com tantas exigências fiscais e logísticas. No entanto, ignorar esses códigos é um dos erros mais caros que um lojista pode cometer. Deixar esses campos em branco ou preenchê-los de qualquer jeito é a receita ideal para ter anúncios bloqueados nos marketplaces, pagar impostos a mais (ou a menos, o que gera multas pesadas) e ver o estoque virar um caos absoluto.
A boa notícia? Nenhuma dessas siglas é um bicho de sete cabeças. Elas existem para organizar o mercado e, quando usadas a seu favor, podem impulsionar suas vendas e blindar sua empresa contra problemas com o governo.
Neste guia prático e direto ao ponto, vamos traduzir o significado de cada um desses termos, entender como eles se aplicam no cenário do e-commerce brasileiro e, o mais importante, como resolver cada um deles na prática para que você possa focar no que realmente importa: vender.
SKU
O SKU (Stock Keeping Unit ou Código de Referência do Produto/Ref.) é o coração da organização logística e digital da sua empresa.
Ao contrário do EAN ou do NCM, que são padrões globais e governamentais, o código de referência é interno, customizável e exclusivo da sua loja. É a forma como você batiza o produto para que seu sistema o encontre em um piscar de olhos.
Este identificador alfanumérico (letras e números) deve descrever o produto de forma "ultraespecífica", detalhando suas principais características, como marca, modelo, cor e tamanho.
O SKU é a "ponte" que une todos os seus canais de venda. Se você vende o mesmo produto na sua loja virtual, no Mercado Livre e na Shopee, e usa um ERP (como Bling ou Tiny) para centralizar tudo, é o Código de Referência/SKU que garante que, quando uma venda acontecer na Shopee, o estoque seja baixado automaticamente no Mercado Livre.
Sem códigos de referência idênticos e bem integrados, você corre o risco de vender produtos sem estoque ou ter que atualizar as quantidades manualmente canal por canal. Além disso, ele é fundamental para criar as variações de um produto (ex: uma camiseta com a mesma estampa precisa de um código de referência para o tamanho P, outro para o M, e outro para o G).
Como resolver
Para "resolver" o código de referência, você precisa de um padrão lógico e inteligente. Criar códigos aleatórios como PROD001 ou usar o nome do produto no campo de código é um erro grave.
Siga estas boas práticas para montar os seus códigos:
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Crie uma estrutura lógica: Use abreviações que façam sentido visualmente.
Exemplo: Se você vende uma Camiseta da marca "Nike", modelo "Run", na cor "Preta" e tamanho "M", seu código de referência pode ser:
NK-RUN-PT-M. Evite caracteres especiais e espaços: Nunca use acentos, cedilha, espaços ou símbolos como
@,#,$,/. Prefira usar o hífen (-) ou o underline (_) para separar as informações. Sistemas antigos ou de marketplaces podem dar erro ao ler caracteres especiais.Mantenha a consistência: Se começou usando hífen, use hífen em tudo. Se definiu que preto é
PT, não mude paraPRnos próximos cadastros.Replique em todos os canais: O código cadastrado no seu ERP deve ser exatamente igual ao cadastrado na plataforma de e-commerce e nos marketplaces. Se houver uma única letra de diferença (
NK-RUN-PT-MvsNK-RUN-PT-Mcom um espaço no final), os sistemas não vão se conversar.
GTIN
O GTIN (Global Trade Item Number/Número Global do Item Comercial) é o identificador padrão e exclusivo para qualquer produto no mundo, desenvolvido e administrado pela organização global GS1. O GTIN é o "guarda-chuva" que engloba vários tipos de códigos de barras (como o EAN e o UPC).
Dentro do e-commerce brasileiro, marketplaces como Mercado Livre, Amazon, Shopee e Magalu, assim como o Google Shopping, exigem o GTIN validado. Anúncios com GTIN correto têm maior relevância, aparecem mais nas buscas e são elegíveis para campanhas de anúncios estruturadas. Além disso, a validação do GTIN é obrigatória na emissão da Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) pela SEFAZ para diversos setores.
Como resolver
Se você é revendedor: O GTIN já vem de fábrica. Basta olhar a embalagem do produto ou a nota fiscal de compra do seu fornecedor e copiar o código numérico para o cadastro do produto no seu ERP (como o Bling) ou plataforma de e-commerce.
Se você é fabricante/marca própria: Você precisa se associar à GS1 Brasil para gerar códigos legítimos para os seus produtos. Não compre códigos de "revendedores paralelos" na internet; a SEFAZ cruza os dados com o Cadastro Centralizado de GTIN (CCG) e vai rejeitar sua nota fiscal se o código for inválido.
Se o produto não tem código (Artesanato/Sem marca): No cadastro do ERP e na NF-e, deve-se preencher o campo correspondente com a expressão "SEM GTIN".
EAN
O EAN (European Article Number ou Número de Artigo Europeu, embora hoje seja chamado formalmente de International Article Number), é o tipo mais comum de GTIN utilizado no Brasil e na Europa, composto por 13 dígitos (GTIN-13).
Quando uma plataforma de e-commerce ou marketplace pede o "EAN do produto", ela está pedindo o código de barras padrão de 13 dígitos que você vê na maioria dos produtos de supermercado e varejo no Brasil.
Como resolver
No seu ERP ou plataforma (como Bagy, Bling ou Tiny), localize o campo chamado "EAN" ou "GTIN/EAN" e insira os 13 números do código de barras.
Atenção ao erro comum: Não confunda o código de barras do produto com o código SKU (que é o seu código interno de estoque). O EAN deve ser estritamente numérico e ter 13 dígitos.
UPC
UPC (Código Universal de Produto ou Universal Product Code) é o "irmão americano" do EAN. É um tipo de GTIN composto por 12 dígitos (GTIN-12), utilizado predominantemente nos Estados Unidos e Canadá.
Você vai deparar com o UPC se o seu e-commerce trabalha com produtos importados da América do Norte.
Como resolver
As plataformas de e-commerce e marketplaces costumam aceitar o UPC normalmente no mesmo campo do EAN/GTIN.
O "pulo do gato" na Nota Fiscal (NF-e): O sistema da NF-e no Brasil espera um padrão de 13 dígitos (EAN). Se o seu produto tem um UPC de 12 dígitos, muitas vezes você precisa adicionar o número 0 (zero) na frente do código para que ele passe na validação fiscal como um GTIN de 13 dígitos, ou garantir que o seu ERP esteja configurado para transmitir o campo fiscal como GTIN-12.
NCM
O NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) é um código de 8 dígitos adotado pelos países do Mercosul para identificar a categoria e a natureza de cada mercadoria. Ele funciona como o "RG" do produto para fins alfandegários e fiscais.
O NCM é obrigatório para a emissão de qualquer Nota Fiscal Eletrônica (NF-e). É através do NCM que o governo sabe quais impostos incidem sobre o produto (ICMS, IPI, PIS, COFINS) e se ele se enquadra em regimes como a Substituição Tributária (ST). Colocar um NCM errado pode gerar multas pesadas e fazer você pagar imposto a mais (ou a menos, o que configura sonegação).
Como resolver
Consulte o fornecedor: O NCM do produto sempre estará na Nota Fiscal de compra que o seu fornecedor emitiu para você. Basta copiá-lo para o cadastro do produto no seu sistema.
Consulte as tabelas oficiais: Se você fabrica o produto, precisará descobrir o código correto. Você pode usar a tabela TIPI (Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados) da Receita Federal ou ferramentas de busca de NCM online (como o Portal Único Siscomex ou sites especializados como o Cosmos).
Valide no ERP: Cadastre o código de 8 dígitos sem pontos ou traços no campo "NCM" do seu ERP.
Valor do IPI
O IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) é um imposto federal que incide sobre produtos que passaram por algum processo de industrialização (transformação, beneficiamento, montagem, embalagem, etc.) ou no momento do desembaraço aduaneiro de produtos importados.
O valor do IPI afeta diretamente a formação de preços e a emissão de notas fiscais do e-commerce em dois cenários principais:
Se você fabrica ou importa os produtos: Você é o contribuinte do IPI e deve destacar o valor do imposto na NF-e de venda.
Se você apenas revende (comércio puro): Você não destaca o IPI na sua nota de venda, mas o IPI cobrado pelo seu fornecedor na nota de compra faz parte do seu custo de aquisição, o que exige atenção na hora de calcular sua margem de lucro.
Como resolver
Identifique a alíquota: A alíquota do IPI é definida pelo NCM do produto na tabela TIPI. Ela pode variar de 0% (isento) a mais de 30% (produtos supérfluos, como cigarros e bebidas).
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Configure o regime tributário no ERP: * Se sua empresa é do Simples Nacional, em geral, você não destaca o IPI nas vendas (salvo raras exceções de indústrias equiparadas). O imposto já está unificado no DAS.
Se sua empresa é do Lucro Presumido ou Lucro Real e você industrializa/importa, configure a regra fiscal no seu ERP associando o NCM à alíquota correta do IPI. O próprio sistema calculará o "Valor do IPI" multiplicando a alíquota pela base de cálculo (geralmente o valor do produto) e somará isso ao total da nota fiscal.
Informando SKU, GTIN, EAN, UPC, NCM e Valor do IPI em seus produtos
Para informar os dados de SKU, SKU, GTIN, EAN, UPC, NCM e Valor do IPI nos seus produtos, no painel administrativo da sua loja Bagy 3.0 vá no menu lateral esquerdo e acesse "Produtos" > "Lista de produtos".
Após isso, você poderá informar o SKU, GTIN, EAN e UPC acessando a área de edição de um produto ou cadastrando um novo produto (clique em + Adicionar produto).
Agora, vá na seção de "Informações Adicionais" e preencha os campos de "Referência (SKU)" e "EAN/GTIN/UPC".
Após isso, basta salvar as edições realizadas no produto.
Agora, para preencher as informações de NCM e Valor do IPI, você deverá acessar novamente a lista de produtos e escolher o produto desejado.
Em seguida, clique nos "três pontinhos" e selecione "Opções avançadas".
Busque por "Imposto do produto" e clique em "Editar".
Aqui você poderá preencher os campos de IPI e NCM.
Por fim, clique em "Salvar".
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